Essa idéia de negação, quanto ao quesito da política, de fato é também um posicionamento político, manifestado pelas camadas sociais, incentivadas, de certo modo, pelas ondas e movimentos da era digital. Muitas vezes, a alienação está impregnada à interesses midiáticos, de oligarquias e autarquias, empresas, multinacionais, e ate´ mesmo, setores políticos que dominam a sociedade. A política se transmuta em um instrumento de manipulação desta sociedade que perdeu seu foco e seu interesse crítico pela vida e seus fatos histórico-sociais.
Qual seria o modus operandi dessa
dominação? Pensar a era digital e o uso da tecnologia apenas visando vender produtos de enfermaria, digamos assim, para consumo de materiais,
softwares, objetos de obsolescência programada. Muito distante estariam os
anseios de democratização, desenvolvimento da cidadania, afirmação de direitos
a diversos bens, tanto materiais como imateriais, que são necessários a todos
os sujeitos históricos, para não subjugarem sua existência humana neste
planeta.
Qual seria a apolítica destes tempos de “Era
Digital”? Para mim, a principal delas é a de provocar o sentimento de apatia
geral, sendo que, o domínio ideológico, se esconde sutilmente, atrás do
arcabouço da era tecnológica.(Estou sendo pessimista!). Não é difícil perceber
que sistemas midiáticos, sistemas de telefonia, segurança, propaganda, prevêem,
e em muitos casos, ditam regras sociais do modo de ser, pensar e agir. O
consumo é o centro do interesse, e a tecnologia o estimula, multiplicando as
vontades e anseios por produtos da moda, sempre atuais. Indago então, como ser
livre? Como pensar por si só, ser autônomo em meio a tantos desafios e
imposições?
Como vimos em Levy (1997)
apud Carvalho (2011) reconhece na Internet, um futuro democrático para
a humanidade, pois ela é o meio de articulação disponível a qualquer
cidadão comum. Porém, o Brasil ainda não garante o acesso democrático que
alcance a população em massa.
Ao perceber esse “alcance”
inalcançável, o que pensar sobre a política da democratização e acesso social
nos países como o Brasil? Realmente se facilita o alcance democrático das
possibilidades da rede de internet às camadas sociais menos favorecidas? O que
dificulta a chegada da informação a essas camadas? Será culpa da inexistência
de políticas sociais nesse âmbito ou por serem políticas falhas? E se há a chegada
de informação, qual a qualidade desta? Qual a política ou a apolítica desta
informação? Esta informação ajudará camadas sociais em desvantagem obterem sua
autonomia, ou facilitará os processos de dominação, manipulação politca, social
e econômica?
Como percebemos, existem muitos
percalços, e descaminhos quando pensamos democracias e era digital, mas ao
mesmo tempo, no campo da educação, temos que ser otimistas, pois, como há de
ser, ainda temos esperança de que esses avanços da era digital possam
fortalecer a educação como um todo.
Mesmo não querendo, já
estamos envolvidos no meio destas mudanças ocasionadas pela tecnologia. O que
devemos fazer? Se deixar dominar ou buscar compreensão destas maneiras de
pensar e agir? Qual o papel de um docente em meio a tamanha evolução
bestial, nesta nova era apocalíptica? Será o fim dos tempos, ou, estamos
entrando em um novo ciclo da história da humanidade? Quais os desafios para
a América Latina em termos de educação e inclusão cultural, econômica e
política? De que modo poderemos expandir o debate pela democratização,
utilizando a tecnologia para este fim? Como vemos, muitas questões ainda ficam
sem respostas e outras vão sendo respondidas a cada avanço ou desavanço
tecnológico. Entenda-se desavanço, quando a tecnologia não contribui com o
crescimento e o desenvolvimento social. E aí... será que há algum sentido nestas
palavras ou estou apenas sendo apolítico? De que modo estarei sendo
apocalíptico?
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