quinta-feira, 29 de maio de 2014

A POSTURA POLÍTICA E APOLÍTICA NA ERA DIGITAL: CHEGAMOS AO APOCALIPSE???

Essa idéia de negação, quanto ao quesito da política, de fato é também um posicionamento político, manifestado pelas camadas sociais, incentivadas, de certo modo, pelas ondas e movimentos da era digital. Muitas vezes, a alienação está impregnada à interesses midiáticos, de oligarquias e autarquias, empresas, multinacionais, e ate´ mesmo, setores políticos que dominam a sociedade. A política se transmuta em um instrumento de manipulação desta sociedade que perdeu seu foco e seu interesse crítico pela vida e seus fatos histórico-sociais.
Qual seria o modus operandi dessa dominação? Pensar a era digital e o uso da tecnologia apenas visando vender produtos de enfermaria, digamos assim, para consumo de materiais, softwares, objetos de obsolescência programada. Muito distante estariam os anseios de democratização, desenvolvimento da cidadania, afirmação de direitos a diversos bens, tanto materiais como imateriais, que são necessários a todos os sujeitos históricos, para não subjugarem sua existência humana neste planeta. 
Qual seria a apolítica destes tempos de “Era Digital”? Para mim, a principal delas é a de provocar o sentimento de apatia geral, sendo que, o domínio ideológico, se esconde sutilmente, atrás do arcabouço da era tecnológica.(Estou sendo pessimista!). Não é difícil perceber que sistemas midiáticos, sistemas de telefonia, segurança, propaganda, prevêem, e em muitos casos, ditam regras sociais do modo de ser, pensar e agir. O consumo é o centro do interesse, e a tecnologia o estimula, multiplicando as vontades e anseios por produtos da moda, sempre atuais. Indago então, como ser livre? Como pensar por si só, ser autônomo em meio a tantos desafios e imposições? 
Como vimos em Levy (1997) apud Carvalho (2011) reconhece na Internet, um futuro democrático para a humanidade, pois ela é o meio de articulação disponível a qualquer cidadão comum. Porém, o Brasil ainda não garante o acesso democrático que alcance a população em massa.
Ao perceber esse “alcance” inalcançável, o que pensar sobre a política da democratização e acesso social nos países como o Brasil? Realmente se facilita o alcance democrático das possibilidades da rede de internet às camadas sociais menos favorecidas? O que dificulta a chegada da informação a essas camadas? Será culpa da inexistência de políticas sociais nesse âmbito ou por serem políticas falhas? E se há a chegada de informação, qual a qualidade desta? Qual a política ou a apolítica desta informação? Esta informação ajudará camadas sociais em desvantagem obterem sua autonomia, ou facilitará os processos de dominação, manipulação politca, social e econômica? 
Como percebemos, existem muitos percalços, e descaminhos quando pensamos democracias e era digital, mas ao mesmo tempo, no campo da educação, temos que ser otimistas, pois, como há de ser, ainda temos esperança de que esses avanços da era digital possam fortalecer a educação como um todo. 
Mesmo não querendo, já estamos envolvidos no meio destas mudanças ocasionadas pela tecnologia. O que devemos fazer? Se deixar dominar ou buscar compreensão destas maneiras de pensar e agir?  Qual o papel de um docente em meio a tamanha evolução bestial, nesta nova era apocalíptica? Será o fim dos tempos, ou, estamos entrando em um novo ciclo da história da humanidade?  Quais os desafios para a América Latina em termos de educação e inclusão cultural, econômica e política? De que modo poderemos expandir o debate pela democratização, utilizando a tecnologia para este fim? Como vemos, muitas questões ainda ficam sem respostas e outras vão sendo respondidas a cada avanço ou desavanço tecnológico. Entenda-se desavanço, quando a tecnologia não contribui com o crescimento e o desenvolvimento social. E aí... será que há algum sentido nestas palavras ou estou apenas sendo apolítico? De que modo estarei sendo apocalíptico?
Jair Gonçalves 29/05/2014

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